Alta do custo com moradia leva famílias a cortar despesas, mostra estudo da Habitat Brasil
O aumento do custo da moradia está pesando no orçamento das famílias brasileiras, dificultando o acesso à casa própria e reduzindo a capacidade de investir em melhorias nas residências. É o que mostra um levantamento da Habitat para a Humanidade Brasil, organização dedicada à política habitacional.
O que a pesquisa revela
Realizada pela Edelman Intelligence com 1.400 pessoas entre abril e junho de 2026, a pesquisa mostra que 82% dos entrevistados consideram que o encarecimento da habitação dificulta o sonho da casa própria. Além disso, 74% reduziram algum gasto no último ano para conseguir pagar onde moram, e 56% temem que um imprevisto financeiro comprometa sua permanência no imóvel.
Mais famílias no aluguel
Os dados da Pnad, do IBGE, reforçam o quadro: o número de domicílios alugados cresceu 54,1% em uma década, passando de 12,2 milhões em 2016 para 18,9 milhões em 2025. A valorização dos imóveis e os juros elevados têm restringido o acesso ao crédito imobiliário.
Segundo a diretora-executiva da Habitat Brasil, Socorro Leite, a moradia não é uma despesa que possa simplesmente ser cortada, e quando seu custo sobe, outros itens essenciais acabam sacrificados. Ela chama atenção para o ônus excessivo com aluguel, quando a despesa ultrapassa 30% da renda familiar, situação mais comum na baixa renda, mas que também atinge parte da classe média.
Moradias inadequadas e clima
O aperto no orçamento também limita a adaptação das casas aos efeitos das mudanças climáticas. Segundo a Pnad Contínua, 48,9% dos domicílios brasileiros têm telha sem laje de concreto como cobertura predominante, o que aumenta a exposição ao calor intenso. Somando inadequação habitacional e falta de infraestrutura, são mais de 20 milhões de domicílios com problemas em telhado, piso, banheiro ou outras estruturas básicas.
Com o fortalecimento do El Niño nos próximos meses, a necessidade de investir em melhorias habitacionais tende a crescer, e a avaliação da entidade é que, sem investimento contínuo e políticas públicas permanentes, esse passivo continuará aumentando.
O sonho continua
Apesar das dificuldades, 92% dos entrevistados esperam ter uma moradia própria em algum momento da vida, e 91% consideram a habitação adequada um direito humano básico.
Para a engenharia, o estudo evidencia uma demanda relevante por reformas, retrofit e soluções construtivas que melhorem o conforto térmico e a durabilidade das moradias.
Conteúdo adaptado pela equipe OBRASS.
