Poupança do SBPE: saque desacelera em setembro, mas pressiona fonte de financiamento imobiliário
A caderneta de poupança do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) fechou setembro com captação líquida negativa de R$ 6,19 bilhões, segundo o Banco Central. O resultado mostra desaceleração dos saques em relação a agosto, quando a saída líquida foi de R$ 9,51 bilhões, mas marca o quarto mês consecutivo de déficit.
O dado é relevante porque o SBPE é uma das principais fontes de recursos para o crédito habitacional no Brasil: quanto menor o estoque da poupança, menos dinheiro disponível para financiar imóveis.
Crédito segue aquecido
Apesar das saídas, a concessão de financiamento continua forte. Segundo a ABECIP, o crédito imobiliário com recursos da poupança somou R$ 132,5 bilhões de janeiro a agosto de 2026, alta de 37,5% sobre o mesmo período de 2025.
Os números de setembro
Os depósitos somaram R$ 293,15 bilhões e as retiradas, R$ 299,33 bilhões. Na comparação com agosto, os depósitos caíram 5,3% e as retiradas, 6,2%. Como os saques recuaram mais, o saldo líquido melhorou. O rendimento creditado aos poupadores foi de R$ 4,79 bilhões, ligeiramente acima de agosto.
O saldo total do SBPE terminou o mês em R$ 755,80 bilhões, recuo de 0,18% frente a agosto, mas ainda acima dos R$ 752,49 bilhões de janeiro. A remuneração mensal dos depósitos tem ajudado a amortecer a perda de estoque.
Acumulado do ano melhora
De janeiro a setembro, o déficit acumulado foi de R$ 53,22 bilhões, 11,4% menor que os R$ 60,06 bilhões negativos do mesmo período de 2025. Em setembro de 2025, a saída líquida havia sido de R$ 11,72 bilhões, quase o dobro da registrada agora.
Novo modelo do SBPE e diversificação do funding
O aperto no funding tradicional acontece enquanto o setor da construção pede mais tempo para se adaptar às mudanças no crédito habitacional. A CBIC solicitou ao governo e ao Banco Central a prorrogação, por mais um ano, do período de transição do novo modelo do SBPE, cuja vigência integral está prevista para janeiro de 2027, além da manutenção do teto de juros de 12% ao ano.
A reformulação, anunciada pelo BC no fim de 2025, reduz a dependência da poupança e leva os bancos a buscar mais recursos no mercado, por exemplo via Letras Imobiliárias. A regra exige que 80% dos recursos sejam direcionados a operações do SFH. A preocupação do setor é que o funding de mercado, mais caro, eleve os juros ao comprador em períodos de Selic alta.
Conteúdo adaptado pela equipe OBRASS.
